domingo, 27 de setembro de 2015

"Efeitos de Captura", de Luís Filipe Sarmento




Esta foto
captura-me
representa-me
autentifica-me
depois de morto.
No regresso à poesia
Rasgo-a.
O tempo não captura
o mistério do poema.

Luís Filipe Sarmento in "Efeitos de Captura"

"O Último Poeta" , de Paulo M. Morais




Isaque Poeta é um poeta que não escreve uma só palavra. Num mundo sem livros, vive tranquilamente segregado na Montanha-Ilha, território pertença da Nação À Beira-Mar Plantada. Por ser o último poeta à face da terra, acostumou-se a receber o Prémio Nobel de literatura, que continua a ser atribuído devido à teimosia anacrónica de Alfredo Nobel. Porém, mesmo consecutivamente nobelizado, Isaque mantém-se alinhado ao esforço mundial para terminar com a literatura. Por ele, nunca mais será escrito um poema.

A atribuição de novo Nobel obriga a que o premiado se desloque à Escandinávia, viagem tolerada pelo Governo para que a Nação arrecade o dinheiro do galardão. A comitiva, que volta a integrar Nicolau Editor, é liderada por Aníbal Político, um adido político zeloso do seu papel de manter Isaque devidamente inativo. Poeta e Editor, ambos sofredores de claustrofilia, simbolizam uma era à beira da extinção: quando Isaque morrer, a literatura morre também.

Será Alfredo Prémio, um troglodita que ainda sabe ler, a tentar quebrar a apatia de Isaque. Com base numa irrecusável chantagem, o excêntrico escandinavo impõe uma nova viagem, desta vez ao encontro de livros de poesia que sobreviveram ao extermínio da literatura. No trajeto que passa pelo deserto texano, nos Estados Unidos, pela floresta da Tijuca, no Brasil, pelas ilhas de Coloane e Taipa, em Macau, por Goa, na Índia, e pelo Tarrafal, em Cabo Verde, os viajantes encontrarão um milionário, quatro mulheres e uma série de personagens estranhas como anões que jogam às cartas ou homens que rastejam ao cheiro da aguardente.

No meio desta odisseia de belezas e horrores, prazeres e perigos, palavras e gestos, amores e ódios, conseguirá Isaque Poeta descobrir um estímulo poético ou a sua musa inspiradora? Voltará o último Poeta à face da terra a pegar numa folha em branco para escrever um novo poema que salve a literatura?

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Paulo M. Morais nasceu em Fevereiro de 1972 e cresceu nos arredores de Lisboa, entre futebóis, livros e filmes. Licenciado em Comunicação Social, faz tradução de romances e escreve para a imprensa e internet.
Cumpriu um sonho de juventude ao fazer crítica de cinema. Um dia pôs uma mochila às costas e realizou outro sonho: dar a volta ao mundo. Ao regressar da viagem, especializou-se nos temas da gastronomia e das viagens.
Quando se aventurou pela escrita de romances, nunca mais deixou de ficcionar personagens e histórias. Em 2013, publicou Revolução Paraíso, pela Porto Editora, romance passado nos tempos do pós-25 de Abril. Em 2014 publicou Estrada de Macadame, em formato digital com a chancela Coolbooks.

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"(…) numa prosa bem estruturada, longe da redacção explicadinha ou do vislumbre rapidinho, conta, de um ponto de vista popular, a partir de um bairro de Lisboa (mais concretamente a zona do Cais do Sodré e São Paulo) e com um humor um tanto pícaro, o que foi o desenrolar da revolução e o seu dia a dia alucinado.»
Mário de Carvalho sobre Revolução Paraíso (em escolhas no “Diário de Notícias”)

“A escrita de Paulo M Morais, em maturação, caminha no sentido de um timbre próprio, uma marca de água distintiva deste autor.”
António Ganhão in Acritico, sobre Estrada de Macadame

“Um livro singular.”
in Visão, sobre Revolução Paraíso.

“É caso para dizer que Paulo M. Morais é um exímio contador de histórias.”
in Efeito dos Livros


terça-feira, 1 de setembro de 2015

O Guardião do Silêncio, um "quase-romance" sobre saudade
























O Guardião do Silêncio é (…) uma história de amores e desamores onde o desencontro, a ausência, a solidão estão rodeados por um silêncio que é quase mutismo, (…) que vai em busca (…) de uma voz empenhada em trazer à superfície as fragilidades do ser humano, quando este se encontra enclausurado dentro de si próprio. Numa sociedade em que o individualismo suplanta largamente o sentido de coletivo, (…) não é de espantar que tantos se deixem afundar num mar de silêncio. Um silêncio que, farto de ser obscuro, reclama com propriedade «um pintor de silêncios» que o torne visível, que o liberte do mutismo que é morte, antes da morte. Ana Paula Mateus é, nesta perspetiva, uma exímia pintora de silêncios - traça os contornos de vidas marcadas pela solidão, pela dor da perda e da ausência. (…) O coração, as sensações estão no centro desta viagem em que o onírico, o poético e a expressão do sofrimento se entrecruzam, gerando uma paisagem de silêncios povoados de vozes que não serão, de todo, alheias a um leitor atento. 

Lídia Borges, excerto do prefácio 


Ana Paula Mateus, n. 16 de julho de 1964, Póvoa de Varzim.
Licenciada em Ensino de Português e Francês e mestre em Teoria da Literatura, na variante de Literaturas Lusófonas e professora do ensino secundário. Em 2007 cria o blogue De Profundis (wwwdeprofundis.blogspot.com) que terá sido o primeiro passo para a certeza da escrita. Em 2009 ganha o 1º Prémio, na categoria “Docentes”, no concurso literário Dar Voz à Poesia, de âmbito nacional e abrangendo também os países lusófonos, com o poema “Um Punhado de Palavras”. Em Fevereiro de 2011 vence o Concurso Literário Correntes D’Escritas / Fundação Dr. Luís Rainha com a obra Sete Estórias do Vento Salgado, publicada em julho de 2011. No mesmo ano foi cronista convidada do jornal local O Comércio da Póvoa. Em 2013 integra como autora a antologia poética Audaz Fantasia, publicada pela editora Universus, com o poema “A Oratória do Silêncio”. Em novembro do mesmo ano, é convidada pela autora Lídia Borges a prefaciar a obra poética vencedora do Concurso Maria Ondina Braga. Em setembro de 2014 é co-autora na coletânea Confissões, publicada pela editora Lua de Marfim. Em janeiro de 2015 é co-autora na colectânea Mentira publicada pela editora Pastelaria Studios. O Guardião do Silêncio é a sua segunda publicação de ficção narrativa.